O episódio envolvendo a interrupção de um culto de religião de matriz africana no bairro Jardim Europa, distrito do Jardim Ingá, em Luziânia, ganhou novos contornos neste domingo (01/03). Após a repercussão de vídeos nos quais os frequentadores alegavam ter sofrido intolerância religiosa, novas informações trazem a versão do vizinho denunciante e o posicionamento oficial das autoridades de segurança.
O Entorno News obteve acesso a novos vídeos, além dos Boletins de Ocorrência (RAI) registrados pela Polícia Militar e pela Polícia Civil, que detalham a ótica de quem realizou a denúncia e dos agentes que atenderam a ocorrência.
A versão do vizinho e o histórico do conflito
Em vídeos gravados do quintal da residência vizinha ao lote onde ocorria a celebração, é possível ouvir o som dos instrumentos de percussão e cânticos. Segundo o relato do morador, F. S. C., à Polícia Civil, a situação não é um evento isolado.
De acordo com o depoimento do denunciante, os responsáveis pelo local, adaptaram o lote para a realização dos cultos há cerca de três anos. Felipe, que afirma morar no endereço há 20 anos, alega que desde então sofre com barulho, ruído e movimentação de pessoas. O morador relatou ainda que já acionou a Divisão de Posturas do município anteriormente e que, ao tentar um acordo com os vizinhos, teria sido alvo de xingamentos e ameaças de cunho religioso.
Ainda segundo informações repassadas ao Entorno News, o local já foi notificado pela fiscalização de postura municipal. Fontes afirmam também que os responsáveis pelo terreiro chegaram a levar o caso à Comissão de Direitos Humanos em Brasília sob a alegação de intolerância religiosa, mas que a polícia respondeu com relatórios demonstrando o histórico de ocorrências de som alto.
A versão da Polícia Militar e a alegação de desobediência
Representantes da Polícia Militar do Estado de Goiás, através do 5º CRPM (Comando Regional de Polícia Militar), se manifestaram sobre o caso, rejeitando qualquer insinuação de que a abordagem tenha sido motivada por preconceito religioso. Segundo a corporação, a ação foi uma resposta estrita a um chamado via COPOM (190) para atendimento de suposta perturbação do sossego.
De acordo com o relato registrado pelos policiais na ocorrência, a equipe solicitou que o evento fosse momentaneamente interrompido para dialogar e passar orientações sobre a legislação. A ocorrência descreve que a responsável, informou que não interromperia o culto e orientou os participantes a darem continuidade à celebração.
O documento policial afirma que, embora os instrumentos tenham parado inicialmente, os cânticos prosseguiram em volume elevado. A PM considerou a atitude como desobediência a uma ordem legal. Após nova intervenção, o culto foi paralisado e as partes foram conduzidas ao CIOPS para as providências cabíveis. O boletim relata, por fim, que enquanto o registro era feito na delegacia, o vizinho foi informado por sua esposa de que a celebração havia sido retomada no local.
O Entorno News segue acompanhando o desdobramento do caso junto às autoridades policiais e judiciárias competentes.
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