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Terça-feira, 28 de Abril de 2026

BRASIL

Autonomia financeira é prioridade de por 37,3% das mulheres, aponta pesquisa

Ao falar sobre ambições, a independência financeira foi apontada como prioridade por 37,3% delas. Em segundo lugar, estava a saúde mental e física (31%)  

Redação
Por Redação
Autonomia financeira é prioridade de por 37,3% das mulheres, aponta pesquisa
© Marcelo Camargo/Agência Brasil
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Ter autonomia financeira e poder decidir sobre os próprios rumos aparece como a principal prioridade para mulheres ouvidas na pesquisa Mulheres e Mercado de Trabalho, divulgada neste sábado (7).

O estudo também reforça que o ambiente profissional ainda apresenta desigualdades significativas, além de revelar a percepção feminina sobre episódios de discriminação e violência dentro das empresas.

O levantamento foi realizado pela Consultoria Maya, a partir do banco de dados da plataforma de educação corporativa Koru, e ouviu 180 mulheres sobre temas relacionados ao trabalho e à vida pessoal. As entrevistadas possuem diferentes perfis etários e etnorraciais — com exceção de indígenas.

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Entre as ambições apontadas pelas participantes, a independência financeira lidera com 37,3% das respostas. Em seguida aparecem a busca por saúde mental e física, mencionada por 31%, e a realização profissional. Ter um relacionamento amoroso aparece bem atrás na lista de prioridades, não sendo objetivo sequer para uma em cada dez entrevistadas.

Segundo a diretora da Consultoria Maya, Paola Carvalho, o conceito de autonomia financeira vai além da capacidade de consumo.

“Estamos falando de ter salário, renda e poder de decisão, não apenas poder de compra”, explicou.

Ela ressalta que essa autonomia pode permitir, por exemplo, que uma mulher deixe um relacionamento abusivo ou ofereça melhores condições de vida à família.

“Autonomia financeira é condição para liberdade de escolha”, destacou.

Violência e discriminação

Para muitas mulheres, conquistar autonomia passa necessariamente pelo acesso ao trabalho remunerado. No entanto, mesmo com níveis de formação e currículo superiores, elas ainda enfrentam barreiras culturais para entrar e crescer no mercado de trabalho.

Entre os obstáculos relatados estão episódios de discriminação e diferentes formas de violência no ambiente profissional.

Segundo a pesquisa, 2,3% das entrevistadas afirmaram já ter sido preteridas em promoções, muitas vezes devido à maternidade.

“Primeiro vêm os homens, claro. Depois, mulheres sem filhos e, por último, mulheres com filhos”, relatou uma das participantes da pesquisa, que não foi identificada. “Percebo uma preferência em promover mulheres sem filhos em vez de mães”, acrescentou.

A violência psicológica também aparece com frequência nos relatos. Mais de sete em cada dez mulheres disseram já ter enfrentado esse tipo de situação no trabalho.

Os casos incluem comentários sexistas — que desqualificam habilidades por serem mulheres —, críticas à aparência, interrupções constantes em reuniões, apropriação de ideias e questionamentos sobre capacidade técnica.

“Meu coordenador me ofereceu um cargo acima do que eu ocupava e, quando aceitei, ele me chamou três vezes para perguntar se eu realmente achava que conseguiria desempenhar a função”, contou uma das entrevistadas.

Outra relatou situação semelhante: “Em uma dessas conversas, ele chegou a sugerir que eu discutisse a decisão com o meu marido”.

De acordo com o levantamento, episódios de violência no trabalho levaram muitas mulheres a cogitar abandonar a carreira. Mesmo quando permanecem no emprego, a continuidade ocorre frequentemente “apesar das adversidades, e não por condições plenamente igualitárias”, aponta o relatório.

A distribuição de cargos dentro das empresas também revela essa desigualdade. A maioria das entrevistadas ocupa funções operacionais ou intermediárias, como coordenação e gerência. Apenas 5,6% alcançaram cargos de diretoria ou posições conhecidas como C-level, que representam os níveis executivos mais altos.

“A presença feminina diminui drasticamente conforme os cargos se tornam mais estratégicos, o que revela uma estrutura ainda marcada pelo sexismo”, avaliou Paola Carvalho.

Para mudar esse cenário, a consultora defende o comprometimento de todos os níveis hierárquicos das organizações — do estagiário ao CEO — com novas posturas no ambiente profissional.

“É preciso um olhar diferente para essas questões, tanto em ações individuais quanto institucionais”, afirmou.

“Em 2026, ainda termos resultados como esses é algo chocante”, concluiu.

FONTE/CRÉDITOS: Com informações de Isabela Vieira - Repórter da Agência Brasil
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