A escalada do conflito no Oriente Médio, envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, fez o preço do petróleo disparar no mercado internacional e acendeu um alerta para os motoristas brasileiros. Caso a Petrobras repasse a alta mundial para as refinarias, o preço do litro da gasolina pode sofrer um aumento superior a R$ 1,20, impactando diretamente o custo de vida e o orçamento de quem se desloca diariamente entre as cidades do Entorno e o Distrito Federal.
A tensão geopolítica no Estreito de Ormuz — rota marítima por onde passa cerca de 20% de toda a produção global da commodity — fez o barril de petróleo tipo Brent (referência mundial) ultrapassar a marca dos US$ 100 nas últimas semanas, patamar que não era visto há anos. Como o Brasil precisa importar parte dos combustíveis para garantir o abastecimento nacional, o mercado interno sente o choque de imediato.
De acordo com cálculos recentes da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), a defasagem entre o valor praticado no exterior e o preço cobrado nas refinarias da Petrobras já chega a 49% para a gasolina. Na prática, para alinhar os valores ao mercado global hoje, seria necessário um reajuste de R$ 1,22 no litro da gasolina e de impressionantes R$ 2,74 no litro do diesel (defasagem de 85%).
O posicionamento da Petrobras
Por enquanto, a Petrobras mantém os preços nas refinarias. A presidente da estatal, Magda Chambriard, afirmou que a empresa segue monitorando a volatilidade do cenário externo antes de tomar qualquer decisão sobre repasses. A atual política comercial da companhia, em vigor desde 2023, não exige o alinhamento diário à cotação internacional, o que tem funcionado como um "amortecedor" temporário para o consumidor final.
O impacto no seu dia a dia
Especialistas do setor alertam que, se o conflito se prolongar e o petróleo se mantiver no patamar atual, o aumento nas bombas será uma questão de tempo. Além de pesar no tanque de quem usa o carro para o trabalho, a alta nos combustíveis — em especial o diesel — afeta de imediato o valor dos fretes. Com o transporte rodoviário mais caro, o repasse chega rapidamente às prateleiras dos supermercados, pressionando o preço dos alimentos e puxando a inflação para cima.
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